As profecias demonstram a divindade de Jesus?
Jesus entre os Doutores da Lei. Igreja do Sagrado Coração de Jesus, São Paulo

As profecias demonstram a divindade de Jesus?

A revelação feita por Deus ao povo hebreu por intermédio de Moisés e os profetas teve como objetivo preparar a vinda do Messias, devendo, portanto, durar até o seu aparecimento.

Umas das mais belas profecias do Antigo Testamento que deixa claríssimo que Nosso Senhor Jesus Cristo é o Messias encontramos em Isaías:

“Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel, que significa: Deus conosco.” (Is 7, 14)

“O Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da Virgem era Maria. Eis que conceberás e darás à luz um Filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.” (Lc. 1 26-33).

É impossível contradizer uma verdade tão evidente como a que encontramos nesta passagem. Os escribas e mestres da Lei evidentemente sabiam que o tempo do Messias era aquele pelo que diz o Anjo ao Profeta Daniel: “Setenta semanas foram fixadas a teu povo e à tua cidade santa para dar fim à prevaricação, selar os pecados e expiar a iniqüidade, para instaurar uma justiça eterna, encerrar a visão e a profecia e ungir o Santo dos Santos” (Dn 9, 24). Setenta semanas é o termo do oráculo de Jeremias, pois, trata-se de semanas de anos. Evidentemente os que estudavam as Sagradas Escrituras e os Profetas sabiam perfeitamente que o Messias estava entre eles.

“Mas tu, Belém de Éfrata, tão pequena entre as cidades de Judá, é de ti que sairá para mim Aquele que é chamado a governar Israel. Suas origens remontam aos tempos antigos, aos dias da eternidade.” (Miq 5, 2)

“Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do oriente a Jerusalém. Perguntaram eles: Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.” (Mt 2, 1-2)

Não dava para possível negar que Jesus era de fato o Messias prometido pelos Profetas. Seria muito acaso que o Cristo nascesse na mesma cidade profetizada em tantos textos Sagrados e que magos do oriente viessem adorá-Lo.

Aqui também temos uma passagem que demonstra que os escribas e mestres da Lei sabiam que Jesus era o Messias: “(Herodes) Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo. Disseram-lhe: Em Belém, na Judéia, porque assim foi escrito pelo profeta: E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo”. (Mt. 2, 4).

Fica patente por esses trechos que até os detalhes do nascimento do Salvador estavam profetizados. Mas isso se estendeu ao longo de sua vida terrena. Por exemplo, os milagres que fez foram previstos pelos profetas:

“Dizei àqueles que têm o coração perturbado: Tomai ânimo, não temais! Eis o vosso Deus! Ele vem executar a vingança. Eis que chega a retribuição de Deus: Ele mesmo vem salvar-vos. Então se abrirão os olhos do cego. E se desimpedirão os ouvidos dos surdos; então o coxo saltará como um cervo, e a língua do mudo dará gritos alegres.” (Is 35, 4-6).

“Ide anunciar a João o que tendes visto e ouvido: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, aos pobres é anunciado o Evangelho.” (Lc 7, 22).

Ao contrário do que estamos acostumados a ler e ouvir das atitudes fortes, justas e quase sem misericórdia de Deus no Antigo Testamento, encontramos nesta passagem uma prefigura muito clara a respeito de seu modo de agir no Novo Testamento como numa nova era em que Deus perdoa e protege seu povo e derrama sobre ele toda espécie de bênçãos e graças, o que era completamente desconhecido no Antigo Testamento. Tudo isso Nosso Senhor Jesus Cristo vem trazendo. Como duvidar que ele é o Messias esperado?

“Erguem-se, juntos, os reis da terra, e os príncipes se unem para conspirar contra o Senhor e contra seu Cristo.” (Sl 2, 2)

“Então os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se no pátio do sumo sacerdote, chamado Caifás, e deliberaram sobre os meios de prender Jesus por astúcia e de o matar.” (Mt 26, 3-4).

Portanto, eles mataram Nosso Senhor Jesus Cristo com pleno conhecimento do que estavam fazendo, e isto torna o pecado deles mais grave. Nosso Senhor, sendo a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, se encarna e oferece sua Vida em resgate da humanidade pecadora que tinha sido expulsa do paraíso, e o que fazemos para retribuir tamanha predileção? O próprio Jesus num dos passos de sua Paixão dirá: “Quæ utílitas in sánguine meo?”, que proveito há de meu Sangue?

“Os que odeiam a minha vida, armam-me ciladas; os que procuram me perder, ameaçam-me de morte; não cessam de planejar traições. Eu, porém, sou como um surdo: não ouço; sou como um mudo que não abre os lábios.” (Sl 37, 13-14).

“Enquanto isso, os príncipes dos sacerdotes e todo o conselho procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de o levarem à morte. Mas não o conseguiram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas. Por fim, apresentaram-se duas testemunhas, que disseram: Este homem disse: Posso destruir o templo de Deus e reedificá-lo em três dias. Levantou-se o sumo sacerdote e lhe perguntou: Nada tens a responder ao que essa gente depõe contra ti? Jesus, no entanto, permanecia calado.” (Mt 26, 59-63).

Que exemplo magnífico nos dá o Divino Mestre, maltratado não abriu a boca. Ele que ao dizer Ego Sum no Horto das Oliveiras derrubou todos os soldados no chão, nessa hora não abriu a boca. Ele mesmo disse: “Ninguém tira a vida de mim, mas eu a dou de mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir. Tal é a ordem que recebi de meu Pai.” (Jo 10, 18) Supremo e insuperável exemplo de humildade.

“Aos que me feriam, apresentei as espáduas, e as faces àqueles que me arrancavam a barba; não desviei o rosto dos ultrajes e dos escarros.” (Is 50, 6).

“Cuspiram-lhe então na face, bateram-lhe com os punhos e deram-lhe tapas, dizendo: Adivinha, ó Cristo: quem te bateu?” (Mt 26, 67-68).

Tudo isso fez para nossa salvação para que pudéssemos participar de sua Vida Divina, mas aquela gente foi inteiramente indiferente a tudo que se passava diante deles. E nós quando pecamos o que é que fazemos? Não será o mesmo ou até pior do que faziam os judeus do tempo de Nosso Senhor Jesus Cristo? Eles sabiam que Nosso Senhor era o Messias, mas não conheciam a Graça, os Sacramentos, a Santa Igreja Católica. Nós temos tudo isso e ainda somos tanto quanto ou às vezes até mais indiferentes do que os judeus do tempo de Cristo.

“Traspassaram minhas mãos e meus pés: poderia contar todos os meus ossos. Eles me olham e me observam com alegria, repartem entre si as minhas vestes, e lançam sorte sobre a minha túnica.” (Sl 21, 17-19).

“Depois de o haverem crucificado, dividiram suas vestes entre si, tirando a sorte.” (Mt 27, 35).

Até essa humilhação Nosso Senhor sofreu por nós, e, quem sabe talvez mais especialmente, pelos impuros. Ele foi despojado de suas vestes e, segundo a Santa Ana Catarina Emiric, permaneceu um bom tempo despido enquanto o flagelavam. Além de tudo isso foi vestido com a “túnica dos bobos” como era chamada aquela veste branca, a qual é hoje simbolizada pela alva que o sacerdote utiliza para a celebração do Santo Sacrifício da Missa.

“Puseram fel no meu alimento, na minha sede deram-me vinagre para beber.” (Sl 68, 22).

“Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir plenamente a Escritura, disse: Tenho sede. Havia ali um vaso cheio de vinagre. Os soldados encheram de vinagre uma esponja e, fixando-a numa vara de hissopo, chegaram-lhe à boca. Havendo Jesus tomado do vinagre, disse: Tudo está consumado.” (Jo 19, 28-30).

Nosso Senhor deu de Si até o fim. Ele não foi destes que param na pela metade, ou que vão até 90%. Não, Ele foi até o fim.

Porém, há um outro aspecto a ser contemplado: algumas de suas profecias, ao se cumprirem, também demonstraram sua divindade.

“Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias.” (Jo 2,19).

Israelitas, ouvi estas palavras: Jesus de Nazaré, homem de quem Deus tem dado testemunho diante de vós com milagres, prodígios e sinais que Deus por ele realizou no meio de vós como vós mesmos o sabeis, depois de ter sido entregue, segundo determinado desígnio e presciência de Deus, vós O matastes, crucificando-O por mãos de ímpios. Mas Deus o ressuscitou, rompendo os grilhões da morte, porque não era possível que ela o retivesse em seu poder. (At 2, 22-24).

Uma vez que nós tomamos as Escrituras como verdadeiras não temos prova mais clara e contundente de que Nosso Senhor Jesus Cristo não só é o Messias esperado, como é também – sem deixar de ser verdadeiro homem – o verdadeiro Deus.

Nós tomamos apenas alguns textos que nos pareceram mais atraentes, claros e objetivos, evidentemente isso é apenas uma amostra do que a Sagrada Escritura diz a respeito do Messias. Ao longo de todo o Antigo Testamento, passando por David: “Quando chegar o fim de teus dias e repousares com os teus pais, então suscitarei depois de ti a tua posteridade, aquele que sairá de tuas entranhas, e firmarei o seu reino. (…) Eu serei para ele um pai e ele será para mim um filho. (…) Tua casa e teu reino estão estabelecidos para sempre diante de mim, e o teu trono está firme para sempre.” (2Sm 7, 12-16), e em todos os profetas como já vimos ao longo deste artigo. Ora, todas estas passagens que acabamos de ver se encaixam perfeitamente em Nosso Senhor como pudemos constatar nas comparações de textos do Antigo com o Novo Testamento. Seria muito ingênuo alguém afirmar que isso tudo é mera coincidência.

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