São João Bosco: o santo da juventude
São João Bosco. Basílica de Maria Auxiliadora, Turim

São João Bosco: o santo da juventude

Nascido em 1815 em Piemonte, São João Bosco é uma das mais reluzentes figuras de sua época. De família muito pobre, órfão de pai aos dois anos, teve, contudo, a dádiva de nascer de uma santa mãe. Aos nove anos de idade, o jovem João sentiu-se chamado a seguir as vias do sacerdócio. Não sem grandes dificuldades, é ordenado aos vinte e seis anos. Muito inteligente, domina perfeitamente o latim e o grego, fala perfeitamente o francês, um pouco de alemão e “parece ter lido, tanto nas ciências sagradas quanto nas profanas, tudo o que vale a pena ler”.[1]

Tão logo foi ordenado, Dom Bosco prefere abandonar as bibliotecas e dedicar-se ao apostolado com os meninos desamparados que encontra pelas ruas. Em 1841 havia reunido os primeiros. A sua primeira sede foi um velho hangar, o qual recebeu o nome de Oratório de São Francisco de Sales, de onde se origina o título pelo qual a Ordem é conhecida até nossos dias: Salesianos. A mama Margaritta mudou-se para esta nova “casa” passando a cuidar dos afazeres domésticos.

Simples na aparência, essa iniciativa inquietou os organismos públicos da pequena Turim. Investigações, ameaças e inclusive tentativa da assassinato, nas quais não faltaram o punhal e o revolver.[2] Pervadida das grandes tribulações, tal como a vida de todos os grandes santos, a de Dom Bosco não foi diferente.

São João Bosco

São João Bosco

Incessantemente criando, construindo, agrupando pessoas, forçando os acontecimentos a seguir o seu ritmo. Fé inquebrantável na Providência, generosidade sem limites, uma grande alegria, eis alguns de seus traços. “O São Vicente de Paulo italiano” escreveu a imprensa parisiense a seu respeito, durante uma visita do santo em terras francesas em 1833.

Serviu-lhe de incentivo o contato com dois grandes homens contemporâneos seus, Dom José Cotolengo e Dom José Cafasso. Foi com eles que aprendeu que a caridade tem exigências sem limites e que, quando nos pomos a seu serviço temos de aceitar de ser devorados por ela.[3]

Apesar de tantas perseguições, Dom Bosco gozou de poderosas amizades: o rei lhe deu um donativo para o ajudar em suas obras de caridade; o ministro Rattazi lhe favorecia; o conde de Cavour, mesmo anti-clerical em sua política, tinha sempre reservado para São João Bosco um lugar em sua mesa. Maior auxílio, entretanto, lhe vinha do Alto: o santo foi privilegiado com sonhos e visões sobrenaturais de tal maneira freqüentes que formavam um mesmo conjunto com a realidade.

Em 1855, aos quarenta anos, decide fundar a congregação. Esboça a regra neste mesmo ano, 1858 apresenta-a a Pio IX, em 1859 reúne o primeiro capítulo, 1862 os novos religiosos pronunciam votos públicos, em 1864 Pio IX dá o reconhecimento provisório: “Decreto de Louvor”, em 1874 as constituições são aprovadas definitivamente. A Ordem cresce vertiginosamente. No primeiro ano eram meia dúzia de rapazes, vinte anos depois eram mais de mil.

 

[1] Daniel-Rops p. 768, par.1

[2] Cf. Daniel-Rops p. 769

[3] Cf. Daniel-Rops p. 768, par. último

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